A arte de guiar: por dentro da mentoria que transforma o Instituto Semear
Autora: Giulia Guimarães, Jovem-Semente
Você já parou para pensar no que faz um jovem de baixa renda seguir em frente na universidade, mesmo quando tudo parece difícil? Além do apoio financeiro, a rede de acolhimento é um dos fatores essenciais nesse processo. Ter alguém que escuta, que acredita e que diz: “você consegue”.
Por isso, a mentoria transforma trajetórias e tem um papel importante na educação. No Instituto Semear, ela é o fio que conecta experiência e juventude, suporte e direção. A cada encontro entre mentor e estudante, nasce um espaço de escuta, confiança e planejamento. É ali que dúvidas viram passos e que o medo se transforma em esperança.
A mentoria não apenas orienta, ela cria vínculo. E vínculo, em ambiente acadêmico ou profissional, é o que mantém o jovem de pé quando o caminho aperta. Transformar o Brasil através da educação começa com um gesto simples: alguém que acredita e outro que passa a acreditar também.
Para entender isso, nada melhor do que ouvir as pessoas que fazem parte de nosso instituto. Por isso, segue o relato da minha mentora, Bárbara Scotto, que segue comigo há dois anos na minha caminhada, (primeiramente, na vida universitária e, agora, na trajetória profissional) e é responsável por grande parte da minha confiança e do meu desenvolvimento nesse tempo em que faço parte do Semear. Ela respondeu algumas perguntas a respeito da mentoria:
Por que você decidiu se tornar mentora?
“Eu decidi ser mentora voluntária porque eu tinha participado de alguns processos de mentoria ao longo da minha carreira, em que outros profissionais fizeram isso de maneira voluntária comigo, e isso tinha gerado um impacto muito importante na minha vida. Assim, quando eu soube do Semear e do seu propósito, eu entendi que isso era uma forma de retribuir o que haviam feito por mim. Além disso, eu adoro trabalhar com jovens, e isso é um jeito também de me atualizar sobre como os jovens estão pensando. Eu tive muitos jovens aprendizes que ficavam no meu time, muitos analistas mais novos, que são de uma geração diferente da minha, então participar desse processo me ajuda a conhecer mais a nova geração. Foi um processo de entregar e doar o que tinha acontecido comigo, eu acreditava muito, mas também uma forma de eu aprender.”
Como tem sido sua experiência como mentora no Instituto?
“Eu adoro a experiência como mentora, sempre que eu consigo viabilizar minha agenda eu me dedico e me inscrevo nos programas. Eu gosto muito de como é bem estruturado o processo, tanto de formação dos mentores quanto de preparação sobre os temas que os jovens estão vendo no mês e pelo momento em que eles estão passando. Eu participei inclusive de seletivas de jovens e foi muito legal observar, fazer perguntas, conhecer um pouco mais da realidade do jovem, então a experiência é muito boa, muito bem estruturada, e eu sempre tive mentorados muito queridos comigo, que mantém contato até hoje.”
Quais momentos mais marcaram sua trajetória no Instituto?
“Eu acho que participar do processo em si com o jovem sempre é muito rico. E eu acho que o que mais me marcou foi conseguir entender diferentes realidades. Eu já tive jovens que estavam no processo de entrada no mercado de trabalho, e estavam fazendo as primeiras entrevistas; já tive jovens que estavam repensando a carreira; já tive jovens como a Giulia, que estavam iniciando o momento universitário. Então me marca muito entender os jovens nessas diferentes trajetórias, e sempre que se encerra e o jovem me manda uma mensagem de novo, me aciona pelo whatsapp, me pergunta ou quer saber a minha opinião é sempre muito gratificante para mim. Sempre que eu vejo que algum jovem conseguiu me ter como uma referência para ajudar, eu sou sempre muito aberta em todos os momentos. Eu acho que esses momentos de conseguir entender a trajetória de um jovem hoje, no processo de entrar na universidade, procurar o primeiro emprego, sair da universidade… Participar da história deles, não só profissionalmente, mas pessoalmente também, porque a gente fala sobre rotina, sobre família, sobre o ambiente em que eles estão inseridos, sobre as experiências e o quanto é rico e plural, até porque eu já tive jovens de história, de relações internacionais, de gestão pública. Um universo tão diverso de repertório de cada um deles que essa pluralidade me ajuda a ampliar a minha própria visão.”
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