5 dicas para jovens universitários construírem um bom perfil no LinkedIn

Autora: Silvia Boni, mentora

As conexões genuínas são um dos valores do Instituto Semear. Por meio delas, é possível conhecer pessoas com diferentes trajetórias, trocar aprendizados, construir referências e ampliar perspectivas para a sua carreira. O LinkedIn é um ótimo espaço para construir essas conexões e é importante ter em mente que não é necessário possuir um currículo extenso para iniciar uma trajetória consistente nesta rede social. Nesse contexto, surgem algumas perguntas frequentes: como criar um perfil no LinkedIn do zero? O que inserir nele? Este artigo apresenta um caminho possível para essa construção.

Como curiosidade histórica, o LinkedIn foi lançado oficialmente em maio de 2003 e adquirido pela Microsoft em junho de 2016. Atualmente, trata-se da maior rede profissional do mundo. Apesar disso, não é uma plataforma voltada apenas para pessoas já inseridas no mercado de trabalho, mas também para aquelas que ainda estão construindo esse caminho. Além de funcionar como vitrine profissional, o LinkedIn permite a construção de redes de contato, o acesso a conteúdos relevantes para aprendizado e a descoberta de oportunidades de estágio, projetos e desenvolvimento profissional.

Marca pessoal

A primeira dica consiste na construção de uma marca pessoal. Em termos mais amplos, a marca pessoal pode ser entendida como a percepção construída pelas outras pessoas a partir da forma como alguém se comunica, se apresenta e participa de ambientes profissionais e digitais. Essa perspectiva se relaciona às contribuições de Tom Peters, especialmente após a publicação, em 1997, do artigo The Brand Called You, no qual o autor propõe pensar o indivíduo a partir da lógica de uma marca e da forma como ela é percebida.

Para isso, torna-se necessário compreender quem se é, onde se deseja chegar, quais são os próprios pontos fortes, valores e interesses genuínos, além do tipo de ambiente em que se pretende atuar e da maneira como se deseja ser percebido profissionalmente.

Algumas técnicas podem auxiliar nesse processo de autoconhecimento:

  1. Identificar interesses recorrentes: quais assuntos despertam curiosidade espontânea, quais disciplinas chamam mais atenção e que tipos de problemas geram interesse em resolver.
  2. Observar experiências marcantes: identificar em quais atividades houve maior motivação, sensação de contribuição positiva ou pertencimento.
  3. Solicitar feedback de colegas, professores e amigos.
  4. Realizar testes de perfil e vocacionais.
  5. Registrar interesses, aprendizados e projetos ao longo da graduação.

 

A honestidade consigo mesmo é essencial nesse processo. A reputação profissional deve ser construída por meio de constância, coerência e legitimidade.

A imagem profissional de um estudante é construída no dia a dia. A graduação, os projetos desenvolvidos, a postura adotada, as habilidades em desenvolvimento, as causas com as quais se deseja trabalhar e os objetivos de carreira se somam, moldando quem ele é no presente e projetando a reputação que deseja consolidar no futuro.

Informação e atualidades

Acompanhar acontecimentos sociais, culturais, econômicos e tecnológicos ajuda o estudante a desenvolver repertório, senso crítico e capacidade de diálogo, competências cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho.

A rotina intensa da graduação muitas vezes faz com que o estudante concentre sua atenção apenas em provas, trabalhos e conteúdos técnicos da área. Como consequência, muitos jovens acabam se afastando de discussões mais amplas sobre sociedade, cultura, economia, tecnologia, comportamento, entre outras.

Muitas vezes, recrutadores iniciam conversas sobre temas cotidianos ou acontecimentos recentes não apenas para “quebrar o gelo”, mas também para perceber como o candidato interpreta o mundo ao seu redor. Um estudante que acompanha debates contemporâneos, tendências e assuntos diversos transmite a imagem de alguém curioso, participativo e intelectualmente ativo.

O acompanhamento do noticiário diário, no veículo de preferência de cada pessoa, pode ser um primeiro passo nesse movimento. Além das manchetes, torna-se importante aprofundar-se nas notícias consideradas mais relevantes. 

Para lidar com a rotina intensa da graduação, algumas estratégias podem ajudar, como ouvir podcasts durante deslocamentos, reservar pequenos períodos da agenda para atualização e acompanhar newsletters. Inclusive, se você quiser conhecer mais sobre nossa atuação, eventos, iniciativas e oportunidades, inscreva-se no Minuto Semear, a nossa newsletter, clicando aqui!

Estar informado não significa consumir informações de maneira excessiva ou superficial, mas desenvolver o hábito contínuo de observar e compreender o contexto em que se vive.

Foto e perfil completo

A próxima etapa consiste em organizar o perfil de maneira profissional e coerente. Recomenda-se utilizar uma foto simples, com fundo neutro, roupa adequada e aparência acessível, priorizando boa iluminação, olhar direcionado para a câmera e evitando filtros exagerados, óculos escuros ou excesso de edição.

No banner (imagem localizada atrás da foto principal) podem ser inseridos elementos relacionados à área de interesse do estudante, como gráficos para Administração, códigos para Tecnologia ou elementos audiovisuais para Comunicação.

Logo abaixo do nome encontra-se a headline, espaço destinado ao título profissional. Para estudantes universitários, uma alternativa interessante é utilizar uma combinação entre curso, universidade e áreas de interesse. Por exemplo: “Estudante de Administração na USP | Interesse em Finanças e Gestão”. Dessa maneira, a direção profissional pretendida já começa a ser comunicada.

No espaço Sobre, recomenda-se inserir um pequeno texto de apresentação contendo informações sobre quem é o estudante, quais temas despertam maior interesse, objetivos profissionais e áreas que deseja desenvolver futuramente. A escrita deve manter objetividade sem perder o aspecto humano.

Outro ponto importante é a utilização de palavras-chave relacionadas à área de interesse, já que recrutadores frequentemente utilizam esses termos para localizar candidatos na plataforma.

Na seção Formação Acadêmica (Education), basta preencher as informações solicitadas pelo LinkedIn. Caso possível, recomenda-se incluir disciplinas favoritas, intercâmbios, projetos acadêmicos e participações em atléticas ou centros acadêmicos.

Em Experiência, não é necessário possuir vínculo formal de trabalho. Projetos voluntários, empresa júnior, monitoria, iniciação científica, organização de eventos, empreendedorismo e trabalhos freelancers também podem ser incluídos. O foco deve permanecer nos aprendizados e realizações proporcionados por essas experiências.

Na área de Licenças e Certificados, podem ser adicionados cursos realizados em plataformas como Coursera, Sebrae e Alura.

Já em Competências, recomenda-se equilibrar habilidades técnicas e comportamentais, como liderança, Excel, IA, Canva, escrita, trabalho em equipe e idiomas. Novamente, a honestidade torna-se fundamental, pois o perfil funciona como representação da imagem profissional do estudante.

Na seção Interesses, é recomendável acompanhar produtores de conteúdo relevantes, empresas de interesse, grupos profissionais e instituições de ensino alinhadas aos objetivos futuros. Essa etapa também funciona como exercício de mapeamento de área e tende a ser construída gradualmente, conforme a vivência dentro da plataforma aumenta.

Um bom perfil no LinkedIn não depende exclusivamente da quantidade de experiências profissionais, mas da capacidade de comunicar interesses, aprendizados e objetivos de forma clara, organizada e coerente.

Construção de networking

A construção de uma rede de contatos possui grande valor tanto para a busca da primeira oportunidade quanto para movimentações futuras de carreira. Networking não se resume à busca por vagas, mas à construção de relações profissionais baseadas em troca de conhecimento, aprendizado e capital social.

Nesse sentido, torna-se interessante procurar colegas, professores, palestrantes, profissionais da área e ex-alunos da universidade para estabelecer conexões. Sempre que possível, recomenda-se enviar uma breve mensagem junto ao convite, facilitando a lembrança futura do contato.

Além disso, acompanhar empresas de interesse, escolas da área, grupos de vagas e criadores de conteúdo alinhados aos próprios interesses contribui para ampliar repertório e fortalecer conexões profissionais.

Publicações

Um bom perfil no LinkedIn não é construído em apenas um dia. Trata-se de um trabalho contínuo de consistência e coerência que acompanha toda a trajetória profissional.

Interações e publicações periódicas fazem com que o perfil apareça com maior frequência no feed da plataforma, ampliando oportunidades de conexão e reconhecimento profissional. O algoritmo do LinkedIn favorece perfis ativos, fazendo com que curtidas, comentários e publicações aumentem a circulação do usuário dentro da rede.

Além disso, a atividade constante demonstra interesse profissional e participação nos debates da área. Comentários em publicações relevantes, compartilhamento de eventos acadêmicos e reflexões sobre aprendizados podem contribuir significativamente para essa construção, desde que estejam alinhados à marca pessoal desejada. 

Esse movimento também auxilia na familiarização com a linguagem profissional da área, seus termos específicos e formas de comunicação.

Outro exercício importante consiste em investigar vagas disponíveis e observar quais competências técnicas e comportamentais aparecem com maior frequência. A análise de pré-requisitos, palavras recorrentes e habilidades valorizadas permite compreender melhor as exigências do mercado.

Os perfis das empresas também oferecem informações relevantes sobre cultura organizacional, valores e competências mais valorizadas, que ajudam o estudante a refletir se existe alinhamento entre os próprios valores e os da organização. Empresas que oferecem programas de estágio, trainees, capacitação e conteúdos educativos podem representar oportunidades especialmente interessantes para universitários em início de carreira.

Observar como profissionais da área se apresentam, escrevem e interagem também contribui para compreender não apenas quais competências são valorizadas, mas como ocorre a comunicação dentro daquele mercado profissional.

O LinkedIn pode ainda funcionar como ferramenta de ampliação de repertório, já que reúne notícias, tendências, debates e conteúdos produzidos por especialistas de diferentes áreas.

Um degrau de cada vez

Construir uma presença profissional no LinkedIn não significa apenas preencher campos em uma plataforma digital, mas iniciar um processo contínuo de reflexão sobre identidade, objetivos e trajetória profissional.

O LinkedIn pode funcionar como um retrato de uma trajetória em construção, mostrando não apenas aquilo que o estudante já realizou, mas também o que pretende desenvolver futuramente.

É importante ressaltar que não existe necessidade de transmitir uma experiência que ainda não foi vivida. A autenticidade gera conexão, enquanto coerência e constância tendem a produzir resultados mais sólidos do que a busca por perfeição.

O mercado de trabalho procura profissionais tecnicamente preparados, mas também capazes de compreender um mundo em constante transformação.

Por fim, em um cenário no qual muitos jovens sentem pressão para alcançar resultados rápidos, torna-se importante lembrar que carreira e identidade profissional são construções de longo prazo. O LinkedIn não precisa apresentar um profissional completo, mas alguém em desenvolvimento. Respeitar o próprio ritmo, reconhecer limites e valorizar pequenas evoluções pode tornar essa jornada mais saudável, consistente e verdadeira.

Grandes trajetórias profissionais não são construídas de uma só vez, mas tijolo por tijolo, com tempo, intenção e constância.

 

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